7/2/17

O casamento do Bruno Ornelas

Vocês sabem lá o que me sucedeu ontem. Cheguei aos Jerónimos atrasada - o taxi chocou com um tuk-tuk e ficou de tal ordem amachucado que eu acabei por terminar a corrida no tuk-tuk - e, como se isso não bastasse, não pude entrar no casório do Bruno Ornelas. À entrada da igreja de Belém estava um detetor de metais para verificar se alguém levava consigo armas ou objetos perigosos para a integridade de noivos e convidados. O segurança teve a lata de me dizer que tinham enviado mensagem a todos os convidados, alertando para as caprichosas medidas de segurança, mas é mentira, eu nada recebi. Por momentos pensei que me tinha perdido e que estava no aeroporto, ou coisa assim: é sabido que em Lisboa eu não me oriento. Aquilo desatou a apitar e a fazer luzes e foi uma vergonha. Por mais que eu afiançasse que não tinha granadas comigo, nem mesmo o corta-unhas, eles já não me deixaram entrar. Regressei a casa no Expresso das 18.30 horas: não tive problemas para entrar no autocarro mas até já estava a roer as unhas de nervoso quando entreguei o bilhete ao motorista. E encomendei eu esta pecinha da Amazon de propósito para a ocasião! Agora resta-me esperar pela Primeira Liga. Nas Antas serão decerto mais compreensivos.

7/1/17

Carro de compras com rodinhas electrónico: preciso!

Há uns tempos vi aqui na internet uma geringonça electrónica com rodinhas que nos seguia para todo o lado, uma espécie de mala do futuro. Mas é óbvio que os supermercados têm de copiar a ideia. É que costumo encostar o cesto das compras aqui e ali para ir fazer a minha prospecção de víveres em modo mãos livres, e, não raro, acontecem cenas tristes: já por diversas ocasiões andei a deitar as minhas compras no cesto dos outros. Hoje, quando dei por mim junto da caixa e já com parte das compras a deslisar no tapete em direcção às mãos da operadora, verifiquei que me tinha apoderado de um cestinho alheio, de homem: um creme de barbear e um pack de pilhas aguardavam no fundo. Fui tomada por uma aflição súbita como se tivesse roubado aqueles dois produtos! A menina desenvolta começou a registar os meus brócolos, os tomates já corriam para ela com velocidade nunca vista pelo tapete de borracha adiante e eu queria um botão vermelho de Stop mas não há. Então sorri acanhadamente e menti em voz baixa, como que para emprestar seriedade às minhas palavras, que era só um minuto, já voltaria: tinha deixado a carteira nas frutas. Lá fui a serpentear pelo supermercado, sem esperar pela resposta, a puxar o atrelado velozmente que nem o cavalo do Messala pela biga do nobre romano, no Ben Hur. O problema é que a zona das frutas e legumes é uma de vários obstáculos a contornar, uma verdadeira gincana. Às voltas, tentava lembrar-me onde tinha estacionado a minha biga e ao mesmo tempo ia deitando o olho aos cestos que circulavam por ali de forma algo negligente, e a outros estacionados na berma. Observei que os homens às compras, poucos, não ostentavam nenhum sinal de particular aborrecimento. Onde estaria o meu cestinho com rodas? Ó Nossa Senhora do Abacate! Só agora me ocorria que talvez a namorada extremosa do homem, a esposa diligente ou a filha simpática fossem as compradoras. Bolas, bolas. Apurei a vista e perto da zona dos congelados identifiquei uma jovem senhora de túnica, e ar-de-quem-ainda-iria-à-praia-hoje se encontrasse o cesto das compras, a olhar friamente na minha direcção. Um arrepio percorreu-me o cérebro despertando-me para a solução: era isso. Encontraria decerto o meu cesto perto da tulha dos peixes aonde eu tinha estado a comparar preços antes de ter ido pesar as frutas e os brócolos. Devia ser esse o epicentro do imbróglio! Fiz marcha atrás e contornei os produtos biológicos já em excesso de velocidade. Com sorte não derrapei mas dali consegui ver um cesto verde esperançosamente à espera. Aproximei-me de manso e reconheci o gengibre: ó felicidade! Ali estavam as minhas restantes compras. Troquei de cesto com a naturalidade e a destreza de um espião da guerra fria habituado a andanças comprometedoras. Passei então rapidamente pela jovem da túnica cuja voz, toda sorrisos, podia ouvir ao telefone: o seu olhar era agora temperado. Apressei-me a alcançar a caixa onde uma pequena mas incomodada fila de duas almas, um cestinho e um carro de compras, me aguardava. Desculpas depois e despachada dali ainda fui tomar um café retemperador e quando saía do hipermercado vi que descia um jovem magricela em calções de ganga pelo joelho e t-shirt preta na passadeira rolante, mesmo à minha frente. Numa das mãos levava as chaves do carro, e na outra, um saco de laranjas, um creme de barbear e um pack de pilhas.

6/30/17

Criminoso procura-se. Dá-se recompensa.


6/26/17

Anedota do Bocage



A política portuguesa anda a ficar cada vez mais descuidada. Certo dia estavam João Marques e Passos numa festa quando este emitiu uma flatulência. Muito desconcertado viu o amigo João Marques e dirigiu-se-lhe rogando que assumisse a culpa pelo sucedido, para limpar o ar. Prontamente João ofereceu-se para assumir o acto. E então chegou-se ao centro da sala, bateu palmas, e disse em voz alta:
- Minhas senhoras e meus senhores. Quero pedir muitas desculpas. O peido que o Passos deu, não foi ele, não: fui eu! 
Bocage não teria dito melhor.

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